9 de janeiro de 2018

Difícil decolagem.

Em um país repleto de limitações institucionais, recheado com uma sociedade das mais desiguais que existe sobre a face do globo terrestre, fundada em pilares escravocratas e paternalista com efeitos visíveis no presente, seria necessário uma imprensa comprometida com a ética e moral, para ficar no mais básico, para o fim de decolar deste pântano de imoralidade e ausência de comprometimento com o próximo.

O jornalista Sidney Resende, que apresenta(?) algumas edições do Em Cima da Hora na Globo News, foi demitido da CBN, que pertence, assim como a Globo News, às Organizações Globo, esta sucursal do cramunhão em terras de tamoios. Liberdade de opinião na linha editorial da Globo? Para quê? Ameaçear ficar fora do poder por mais 4 anos é uma aposta muito cara para o capital de elite política-econômica nazi-fascista brasileira. Este negócio de transformar miserável em pobre e pobre em classe C e D é intragével para quem sempre manteve o timão deste país continental nas mãos.

14 de julho de 2016

Morenas

Escrever palavras sem vida em meu ser. Tudo se foi. Todo levado. Daqui, ainda não sei o que sou amanhã. Não me resta muita seiva de calor no meu centro. Lágrimas já não bastam, somem como se nunca houvessem existido. A melancolia avança, o descampado é quase inteiro, pleno e dela. Pouco restará se ela não vem. E que se acompanhe de alguma compaixão, pois desta já não me tenho muita. 

Toda a noite me observa. Irascível, impenetrável; que por sua vez, me debulha a alma. Cerca e escanteia meus fantasmas. Interpreta meus vazios e sustenta minhas chagas. De soslaio, me vê expirando, indo-se o tempo, levado pelas noites.

Tantos foram os amores, tantos foram as erosões. Já não sei o que sobrou. Um inventário de um xadrez de bilis nem se presuma realizar. O resultado será se não outro: uma árvore sem amor, reverberando suspiros de pretensões nunca vividas. Alimentando-se de dores indesejadas para somente uma vida, para tão poucos sóis. Me calo e consinto com o Universo: que quiserdes? Aqui me tens. Desfaça-se desta carcaça que aquelas noites extorquíram. Tão bela é a fortaleza externa, tão arruinada é a aldeia do meu vigor.

Um grande prado vazio, carente de luz, zingrado por entes caquéticos e errantes, já sem nome, passado; sem parente ou lembrança que lhe verta uma memória. neste prado corro solto. Infinitamente, solto. Cônscio de carregar uma solidão que já me faz em além de amigo.

Se há algo de luz neste oco, será aquelas memórias de noites passadas, dos beijos e lábios das minhas morenas, eternas dentro de mim, aonde quer que eu vá.

Ficares em paz, meu amigo, o mundo haverá de trazer-te aquilo que outras marés te levaram.

LNMF

05.02.15

13 de setembro de 2013

Um adeus.


Vovó,


Será preciso muito tempo para a sua ausência ser aceita. Por enquanto vou realizando, a cada dia, novas experiências por conta de sua partida no domingo. A primeira vez que ouço a Asa Branca, a primeira vez que percorro a Barão de Studart, tão ligada à minha infância, a primeira vez que pedalo, a primeira quarta-feira... enfim, uma infinidade de "novas" experiências por você não estar mais neste mundo. É quase inaceitável. São 35 anos de você, sempre ali...

Estou me despedindo de muitas lembranças nestes dias. Meus cartões postais endereçados à rua Cel. Linhares cessarão. O segundo café-da-manhã afanado no Paracuru não será mais repreendido. Da mesma forma, não precisarei mais correr e atravessar o sítio para lhe desejar Feliz Ano Novo. Meus telefonemas para o 6560 para escutar um "Prooonto!" também chegaram ao fim. Uma lembrança a menos em minhas viagens, uma recordação que não precisarei mais fazer... Coisas tão pequenas, mas que para mim tinham tanto significado.

Mas você persistirá, mais uma vez. Como uma árvore que foi cortada, se foram os seus ramos, os seus olhos azuis, o sorriso na sua face e seus cabelos macios; mas ficaram as raízes, fincadas sob o solo, escondidas em nossas almas: seus ensinamentos, naquela voz única, seus exemplos, suas palavras de contemplação do mundo, da infinitude dos oceanos, da admiração que a senhora tinha daquilo que Deus havia feito neste mundo, imperfeito pela maldade humana.

Repouse, vó. A senhora esteve aqui por muito tempo. Seríamos dos mais egoístas se aspirássemos ainda mais sua persistência conosco. A senhora conheceu a vida trinta e um anos após terminar o Império brasileiro, dois anos após terminar a Primeira Guerra, nosso presidente era Epitácio Pessoa, seus pais, e muitos daqueles que conviveram consigo, nasceram ainda no século XIX. Tendo casado em 1937, a senhora esteve "casada" por 76 anos! Foram anos como casada o que muitas pessoas não tem de vida!

Parabéns, vó! Você viveu uma vida histórica, que faz parte da história de um país já tão distante. Com a sua partida, também lamento que tantas lembranças que a senhora bem guardava na memória irão com você. Viveu em muitas cidades no interior do estado, em épocas de estradas carroçais, medicina precária, comunicações lentas e distâncias em léguas. Criou e perdeu filhos neste cenário inóspito que foi o Ceará em meados do século XX. Muitos hoje são incapazes de suportar os fardos que a vida traz, criando famílias de um ou dois filhos, e a senhora conseguiu, mudando sempre de cidade em cidade, criar cinco dentre oito filhos. Tento imaginar quantas pessoas assim, como esta história de vida, existiriam em Fortaleza. Não devem ser muitas.

E eu, seu neto que não tem Barroso no nome, me despeço e prometo: no dia em que as estrelas caírem do céu vamos nos reencontrar e nossas arengas retornarão.


Tantos beijos quanto o céu possa suportar
Nivardinho, seu caboclo.

23 de junho de 2013

Curar a dor.

Dedico a você, talvez pela última vez.


Heal The Pain

Let me tell you a secret
Put it in your heart and keep it
Something that I want you to know
Do something for me
Listen to my simple story
And maybe we'll have something to show

You tell me you're cold on the inside
How can the outside world
Be a place that your heart can embrace
Be good to yourself
'Cause nobody else
Has the power to make you happy

How can I help you?
Please let me try to
I can heal the pain
That you're feeling inside
Whenever you want me
You know that I will be
Waiting for the day
That you say you'll be mine

He must have really hurt you
To make you say the things that you do
He must have really hurt you
To make those pretty eyes look so blue

He must have known
That he could
That you'd never leave him
Now you can't see my love is good?
And that I'm not him

How can I help you?
Please let me try to
I can heal the pain
Won't you let me inside?
Whenever you want me
You know that I will be
Waiting for the day
That you say you'll be mine

Won't you let me in?
Let this love begin
Won't you show me your heart now?
I'll be good to you
I can make this thing true
Show me that heart right now

Who needs a lover
That can't be a friend
Something tells me I'm the one you've been looking for
If you ever should see him again
Won't you tell him you've found someone who gives you more

Someone who will protect you
Love and respect you
All those things
That he never could bring to you
Like I do
Or rather I would
Won't you show me your heart like you should?

How can I help you?
Please let me try to
I can heal the pain
That you're feeling inside
Whenever you want me
You know that I will be
Waiting for the day
That you say you'll be mine

Won't you let me in?
Let this love begin
Won't you show me your heart now?
I'll be good to you
I can make this thing true
And get to your heart somehow

Curar a Dor

Deixe-me contar um segredo
Coloque em seu coração e deixe lá
Algo que quero que você saiba
Faça uma coisa por mim
Ouça minha pequena história
E talvez teremos algo para compartilhar

Você me diz que é insensível
Como pode o mundo aqui fora
Ser um lugar que seu coração se identifica?
Seja boa para você mesma
Porque ninguém
Tem o poder de te fazer feliz

Como posso te ajudar?
Por favor, deixe-me tentar
Posso curar a dor
Que você está sentindo aí dentro
O que você quiser de mim
Você sabe que serei
Esperando pelo dia
Que você dirá que será minha

Ele deve ter te machucado muito mesmo
A ponto de você dizer o que diz
Ele deve ter te machucado muito mesmo
Para fazer seus lindos olhos ficarem tão tristes

Ele deveria saber
Que ele poderia
Fazer com que você nunca o deixasse
Agora você não vê que meu amor é verdadeiro?
E que eu não sou ele

Como posso te ajudar?
Por favor, deixe-me tentar
Posso curar a dor
Que você está sentindo aí dentro
O que você quiser de mim
Você sabe que serei
Esperando pelo dia
Que você dirá que será minha

Você me deixaria entrar?
Deixe esse amor começar
Não vai mostrar seu coração agora?
Serei bom para você
Posso fazer disso verdade
Mostre seu coração agora

Quem precisa de um amor
Que não pode ser seu amigo?
Algo me diz que eu sou aquele que você procura
Caso você o veja
Você diria que achou alguém que lhe dá mais?

Alguém que te irá proteger
Te amar e respeitar
E tudo mais
Que ele não pôde te dar
Como eu faria
Ou prefiro
Que você mostre seu coração como deveria

Como posso te ajudar?
Por favor, deixe-me tentar
Posso curar a dor
Que você está sentindo aí dentro
O que você quiser de mim
Você sabe que serei
Esperando pelo dia
Que você dirá que será minha

Deixar-me entrar
Deixe esse amor começar
Não vai mostrar seu coração agora?
Serei bom para você
Posso fazer disso verdade
E chegar ao seu coração de alguma forma

17 de abril de 2013

Vou te contar...

Das coisas que te quero dar, tantas estrelas e saudades para compartilhar. O fundamental é mesmo a tua companhia, de todas as ausências, a tua é a que não suporto. Precisando respirar, vou em ti buscar meu alento. Encontrar minhas possibilidades no vislumbre da tua beleza, sentir o teus aromas, a cada despertar que compartilharmos. Sozinho não quero mais, é preciso dividir nossas dores.

Daquilo que me pedes, não sinto limites para teus desejos. Sou teu desejo em si. A consciência alheia de minhas vontades pertence aos teus anseios. É demais, mas é o que pede meu peito, é a fluência dos meus sentidos centrado em única sensação: o anseio de ti.
Na minha ronda pela tua presença, um vazio caminha naquilo que chamo de meu corpo. No que resta do meu brio, são teus breves vestígios que me regam a alma. A alma que por ti permanece.

Na distância é difícil ver tudo isto. Mas de perto a desolação é obtusa, sonegada. Diferente, pois, não seria. De outra forma, aproxima-te de mim que renasço. Me abrigo em ti e compartilharemos as estrelas e as constelações. 

Veremos o teu Carneiro de Áries altivo entre o Touro e Peixes. Sob as estrelas, e nenhuma outra testemunha, vou te contar mil segredos dos mundos que vi, das terras de Hades às planícies de Hera.

Com tuas mãos dentre as minhas, selaremos o cavalo alado e margearemos o Erídano. Nossa derradeira viagem nunca chegará: viveremos no conto dos poetas, na prosa do desocupados e, ignorantes destes, ocuparemos nosso próprio locus na infinitude das luzes eternas.

30 de março de 2012

Cavalos marinhos.

Cavalos marinhos. Fale deles para mim. Explique a natureza. Explica para mim a tua beleza. Desconhece teu sorriso. Traz a ventura do teu rosto com a esperança nele contida. Naqueles dias que você existe, minha supremacia sobre todos é absoluta. Me parte a vida naquilo que está você.

Cada alvorada, cada remanso, cada ocaso do sol, ali estarão nossas imagens. Nossa teimosia em inventar o amor. Me diz o que acontece enquanto não existimos. Quem dirá aquilo que sou, se não você? Quem serei eu, se não tudo aquilo que está dentro de você? Só um alguém, de acordes perdidos, sem melodia, nem tom. Não desista de nossa prosa. Dela tiro meu mundo.

Pode continuar, os cavalos marinhos ali estão, sob as águas, flutuando entre nós dois. Não haverá interrupção. Enquanto eu procurava achar alguém, eles estiveram sempre ali. Meu amor por ti que não havia nascido. Nossas paralelas que se cruzaram, não razão improvável do mundo e de nossos espíritos. É estranho aquilo que me descreve. O nosso encontro. Comento contigo nossa aparência. Sorria contigo nossas diferenças. Fazer nós dois será tudo que me resta? Estará aí quando eu complete a resposta? A nossa amizade também estará na razão de um amor em asilo?

Tenho andado distraído, na cama tuas conversas têm todo o tempo do mundo. Sempre em frente quando o sagrado e selvagem do nosso comum chamar. Te darei a eterna tempestade do tempo para que você me abrace forte e me conte dos cavalos marinhos, no escuro.

1 de dezembro de 2011

Momentos de incertezas.

O país acordou hoje com novas cautelas expedidas pelo governo federal, via Ministério da Fazenda, com o intuito de reforçar outras já existentes. É um arsenal pronto e instalado contra eventuais efeitos de contaminação internacional. Sendo, majoritariamente, um produtor de commodities, o Brasil depende dos grandes países industrializados para manter-se fora da turma da recessão econômica. Os resultados desta prevenção virão com o tempo, mas é de certa forma confortante, saber que o país está vigilante.

É fator claro e presente nestes anos de governo trabalhista, que o Brasil ganhou um novo motor econômico: seu crescente e quase inesgotável mercado interno em expansão. Mas não será possível contar e assegurar-se sempre desta base da economia para refugar medidas prudentes em momentos de extremas incertezas. Pois, enfim, o que deve ser protegido é a família ordinária brasileira; a camada assalariada que sempre será a mais atingida e sofredora em eventuais momentos de arrocho.

O povo deve estar ciente do momento frágil que todos os velhos mercados percorrem neste instante. Cada qual com suas mazelas e gargalos, luta há pelo menos três anos para sair deste temporal que teima em não se desfazer. De um lado do Atlântico, já saiu o presidente irresponsável e inconsequente, deu lugar à uma promessa democrática que, até agora, não soube ou não quis adotar medidas mais exigentes e duras contra a escassez de crédito em seu país. Do outro lado, sucessivas mudanças de governos também foram inócuas. O problema da velha Europa não é a ideologia de seus governantes, mas sim, um desenho que não se terminou de traçar no cerne da União Europeia: a desvinculação plena da política fiscal de cada país em favor de um governo central europeu. 

Este problema, menos econômico que político, não tem fácil saída: como gerar e garantir uma reserva mínima de legitimidade para um governo econômico central? Que base e desenho político deverá ser elaborado para criar fatores que culminem com um novo tipo de convivência entre estados, nações e entes multilaterais?

Enfim, tanto no Brasil como alhures, são momentos profundos de incertezas. Não de ajustes no desenho institucional vigente, mas uma busca de novos mecanismos e meios sociais, econômicos e políticos que resguardem um bem-estar coletivo e global. Ver o Brasil como uma possível solução e não, pelo menos por enquanto, como mais uma vítima, deverá ser um sentimento único e inédito na história deste país.

13 de abril de 2011

Duas Cidades.



 

Dai-me o que te sobra, pobre defunta. O que te resta é bem pouco, quase nada. Antes do teu derradeiro suspiro, realenta minhas memórias. No teu olvido estará minha tristeza. Na tua lembraça, minha alegria. Não ouse despertar! Da tua presença vivem os abutres. Relute, e eles persistirão. Definhe, e eles irão. Me alegro da tua partida, pois de ti vem a vida deles. Não reclames, compadeço da tua resistência, mas não reclames. Sinta minha mão úmida na tua face, toma um afago do calor do meu sopro; não ouse disto recobrar sentidos e forças. Simplesmente, te peço, vá.

Imagino. Um dia deverás ter tido alamedas, passeios e arremedos de ramblas. O sol deveria, depois de uma espera ansiosa, achar-te uma das mais belas, das mais iluminadas e arejadas. Inflada duma brisa verde e crespa, que te percorria, por tuas sendas, soprando por dentre tuas esponjinhas. Que delícia!

Ao norte, teu mar, impassivo e inquieto, na eterna cobiça do teu costado. Maravilhado com esta esplendorisade em forma axadrezada. Suspirando através das ondas, relutando em te deixar ganhar espaço e, ao mesmo tempo, como prova de um amor indelével, entrega-te território. Um ou dois momentos de charme, mas até a retumbância deste gigante cede aos teus anseios. Sedutora.

E a minha face? Uma dentre tantas? Tomava gosto por ti na minha infância. Eu permitia, com inocência, que tuas paragens fossem gravadas nos preciosos registros da minha memória. É verdade... não apenas tuas paragens, mas teus aromas árboreos. Aquelas tuas sombras, usinas de frescor, enfrentavam teu grande amor celestial. Por onde andará aquela tua beleza de outrora, minha preciosa?

Ir e vir. Tamanha liberdades que me davas. Não queria que o tempo passasse enquanto te percorria, preciso te confessar isto também? Meus olhos eram teus em cada reparo de esquina. Curtia mesmo estes teus infinitos caminhos. Ah! E quantos prazeres bobos existiam perdidos por eles. Quantos destes prazeres se foram sem que deles, em ti, nada fora gravado.

Não vou prolongar nossa agonia, não vou. Mas não poderia deixar-te sair daqui sem um par de recordações. Uma delas era quando a chuva molhava teus mantos. Aliás, antes mesmo desta chegar, tu permitia um aroma ser exalado, avisando da chegada daquela. O arauto do vento fresco trazia um alívio. A melancolia da chuva, através de ti, também significava relento. Tuas lagoas e riachos suprimidos eram os únicos a refugar. Não queriam desaparecer, assim, de pronto e sem vestígios. Hoje estão, além dos subterrâneos, apenas nas memórias.

Já não te sobras tempo. Nem te atrevas. Bem sabes que as forças contra tua sobrevivência hão de persistir. Então? Foge daqui. Ouves? Ainda reverba, no pisar destes que insistimos em ti, o pio da tua alma, que desconfiava já haver partido. Néscia. Te conforto. Muitas semelhantes de ti são hoje apenas escombros, não serás a primeira, meu amor. Não me atrevo a pronunciar o nome delas aqui, no teu leito, mas foram muitas. Levadas, saqueadas, reerguidas e, novamente, destruídas. Avassaladas pelos passos dos homens, tal qual teu futuro. Nossa vida em comum chega ao fim.

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Tinha este texto repousando na minha área de trabalho. Se está correto e claro, eu não sei, mas reflete, com sinceridade, os sentimentos atuais que tenho em relação à cidade de Fortaleza. Sou defensor eterno do estado social. Jamais enfrentaria uma administração que compartilhe desta ideia. Mas é através da percepção de um cidadão ordinário com este escriba que fiz estas inquietas reflexões.

Não desconsidero outros aspectos da administração municipal. Apenas questiono o aspecto estético e urbanístico, componentes atrativos na busca de uma urbe civilizada. É a aparente falência das ações desta administração.

Enfim, no dia do aniversário de 285 da minha cidade, postei meu texto-desabafo. De todas as formas, parabéns Fortaleza!

7 de dezembro de 2010

Love will tear us apart.

Morre não, bloguezim, morre não!

Assuntos não faltam. Assuntos verdadeiros não faltam. Falar por falar, escrever por escrever? Não. Escrever por prazer, para construir e edificar. Realçar um pensamento, transmutar uma ideia. Assassinar outras. Enfrentar a fácil ignorância absoluta da sociedade, imbuída e banhada em um oceano de meios, no meio de uma seca de atitudes.

É uma grande lástima. Tanto que se pode mudar, e tanto que se continua no erro, no marasmo. Uma cidade cinza, antes colorida e fluía. Uma cidade estancada no descaso de século passado. Uma política que nem sequer menção merece. Um afã de cidadania contra uma muralha de egos. Matem-se! Melhor assim seria. Nebuloso porvir. Energia desperdiçada cobra fatura, cedo ou tarde.

Morre não, bloquezim, morre não!

7 de julho de 2010

Ciudades Eternas.


Habrán ciudades eternas
En sus calles, todavía, los pasos son de silencio
Sus ruidos caminan por acá
Sus voces acuestan en otros lechos. 



Habrán ciudades eternas
En sus días, todavía, no existen sombras
La suciedad de los zapatos dejan huellas por acá
Los amores desquiciados suspiran bajo estas noches



Sí, la vida allá aún espera
Espera por la muerte
La última despedida bajo nuestro Sol

Que habrá de traer
Para la ciudades eternas
Todas las sonrisas y lágrimas

30 de novembro de 2009

Notícias da Concretolândia, (Concretoland Chronicles, para os bilíngües)

O apartamento queimou, o gerente endoidou e os preços estão em euro. Putz!

Chapéu-de-Couro, vulgo Pimpolhão Bonitão, terminou suas aventuras pelas gélidas terras de Mossoró. E nos diz:

- É muito bonito Mossoró, você vê os pardais voando, batendo uma asa e com a outra se abanando.

Fez parte, por dois dias, da cena cultural da capital do hotel das águas calientes. Conheceu poetas, escritores, bibliófilos, dono de famoso botequim e até a potiguar Miss Brasil, que não é a 2000, mas é a doismiu inove. Solenemente dispensada, pois atende pela mesma alcunha da finada. Faltaram na lista cordelistas e repentistas, mas a cidade como aquela não se consome duma vez. Que o diga Jararaca!


Logo, foi passear nas desmedidas salinas de Areia Branca, que, diga-se, pronta para um formoso embuste num fim de semana de veraneio, acompanhado de amigos beaujolais. Engôdo nas tripas não impediu aos seus ouvidos a chegada da prosa daquele gigante do sal. Mais de quarenta anos na labuta do cloreto mais essencial. Foram-se os homens. Deles, apenas doutros dependem a memória. Foram-se os lombos carcomidos, chegaram as esteiras inabaláveis. Curado pelo sumo do caju, o dia quase que realmente começou. Pode participar, já de maneira ativa, do resto da jornada.

Se o caju curou as tripas, os olhos foram premiados pelas marolas da beira-mar areia-branquense. O passeio chamou o homem à pesca, mas num pode este lançar anzol, já que de suas tralhas não tinha a companhia. Logo no Tirol, pensou ver alguma barcaça, mas não; tampouco saiam navios singrando para o horizonte, com marinheiros ignorantes do destino. Apenas um choque-choque das ondas nos moles e narrativa de douto filho.

A cidade de Mossoró é repleta de encantos. Apesar de calorosa, permanece arejada e conta com vistoso zelo. Casarões históricos ainda existem, com moradores, jardins, vizinhos, etc. Sem cara de persistir, apenas a frugal participação na vida da cidade. Respiram como fazem já há algumas décadas. Babinha de inveja escorreu da boca do cearense. 1326 é o número do encanto, desconhecendo o nome do logradouro.


Assim como existem estes diamantes arquitetônicos, outros de carne e osso têm maior valor. Peças que fazem das ruas de Mossoró artérias para circulação destas riquezas. Hilda e Zé Rodrigues são os nomes de algumas das peças mais antigas, esmerilhadas de boas memórias. Das mais moles, cepas de nome David e Arcanjo, trazem a certeza de fartura no futuro. Boas novas sempre virão do oeste potiguar. Todas, se escaladas em quilates fossem, não haveria arca no mundo para suas dimensões.

E estar no ar a pesquisa do ciclista Caucaia: qual o melhor time do futebol cearense?

A. Ceará
B. Icasa
C. Fortaleza.
D. Calouros
F. Ferroviário

Não vale colar. Por falar em duas rodas, hoje tem passeio biciclistíco e contamos com a participação de Chico Pezão.

Abs e boa semana. Gúdi uique!

6 de abril de 2009

De Epicuro à Stalingrado.

Escrita em 03.10.2006. Publicada 07 de abril 2009.

"É melhor ser infeliz racionalmente, que feliz irracionalmente", Epicuro.

Esta máxima, escrita há mais de dois milênios, transborda sua verdade até a realidade que cerca as sociedades com as bases consumistas do presente. Uma fortuna de meios materiais e econômicos que permite a estas sociedades um deleite de prazes corporais sem limites. A irracionalidade permite a felicidade e a razão traz a infelicidade, em uma visão diferente. E é, principalemte, através da história e da sociologia que se indaga até que ponto a irracionalidade tem que ir para garantir a felicidade fantasmagórica que se tenta vender.

A história faz seu papel muito além do que outras ciências são capazes. Como não há meios concretos de previsão do futuro, é pelo passado que se prevê e tomam-se as lições para o presente, e é disto que deve viver a história. E são em momentos críticos da humanidade, aparte nossa reconhecida fraqueza pelas guerras, como os conflitos entre nações que se pode absorver lições positivas e negativas para o presente, por que não futuro. E destes conflitos, aquele ainda fresco, pois foi cotidiano para duas gerações atrás, é a II Grande Guerra. E dentro deste, o desenrolar da frente leste foi o mais dramático. Na nossa sensibilidade, por dois motivos: pelo frágil caráter que já apresentava a extinta União Soviética e pela insanidade rotular que acompanha os gênios dos dois antagonistas: José Stalin e Adolfo Hitler.

4 de março de 2009

Março 2009.

O Brasil às vezes parece que não pára no tempo, mas sim, volta, atrasa. Anda para trás. Não crê?

José Sarney, presente na vida política de Brasília desde que o Sol ilumina, regressa mais uma vez à presidência da casa. Como beneplácito e voto de seus amigos e colegas senadores. Sua filha está a um passo de ser empossada como governadora do Maranhão, já que o governador eleito em 2006 foi cassado. Fica no cargo até findar opções de recurso. E o estado do Maranhão continua um dos mais pobres do nosso país.

O ex-presidente da República, extraído do cargo por motivos diversos, agora é o presidente da Comissão de Infra-estrutura do Senado. Além de ser senador, que já causa desconforto, o dito cujo cuidará de obras... licitações. Precisa de mais nada. Se você ainda estiver conseguindo ler isto, o último caso é um atestado de quase insolvência moral de nossa sociedade.

Um caso que causou muito consternação na cidade de Fortaleza, no longínquo ano de 1993, regressa aos jornais. O motivo não poderia ser mais triste. Em 28 de dezembro do referido ano, após uma discussão no trânsito, uma jovem, de nome Renata Braga, foi morta com um tiro na cabeça. Eis que, o presunto assassino, já foi julgado duas vezes. Ambos julgamentos anulados pelo Tribunal de Justiça do Ceará. Agora, com a segunda anulação, em 16 anos, o acusado será julgado pela terceira vez.

Assim, se não fosse por esta tela de LCD diante dos meus olhos, poderia pensar que ainda somos tricampeões do mundo de futebol. Que o ano de 1993 ainda não terminou, que Collor não voltará nunca mais a política, que a família Sarney irá para o ostracismo, já que em decádas no poder, não consegue desenvolver o estado que lhe elege anos após ano. E por útlimo, que o presunto assassino de Renata Braga não precisará de um 3º julgamento (porque não pensar em 4º, 5º, 6º ...) já que a estudante regressou para sua casa na noite de domingo, 28 de dezembro, e passará o fim de ano com a família.

2 de março de 2009

Comparações.


O venerado presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama, foi a uma partida de basquete. Fotografado tomando um gole de aquilo que tem toda a aparência de ser cerveja. Nenhuma palavra escrita com maldade por aqui, tampouco por lá. O PIG não vê maldades nem escreve maldades imbecis quando o presidente é dos outros. Por que é cool um cara como o Obama tirar um respiro dos trabalhos da Casa Branca, em plena crise mundial, e passar duas horas vendo uma partida de basquete enquanto toma uma umas ampolas de diurético, parafraseando certo humorista tupiniquim. Se fosse o intolerável presidente brasileiro, o ex-metalúrgico, Luís Inácio da Silva, as legendas seriam algo entre pinguço e irresponsável. Já imaginou o Lulão indo num jogo do Corinthians em pleno domingo de tarde, no Pacaembu, tomando umas geladis? A república cairia no dia seguinte. Pelo menos esta seria a intenção dos golpistas. Mas como por aqui cada vez mais são menos os bobos, todos (84% é quase todos) compreendem que nosso mandatário, como qualquer outra pessoa comum, estaria desfrutando daquilo que muito de nós paramos por algumas horas durante a semana para ver: futebol. Assim que, PIG e afins, deixem de serem pós-colonial provincianos! Reconheçam o imenso país que surge de um contexto dilacerado por governos que vocês apoiaram! Ataquem o presidente quando quiserem! Mas desde que o seja baseado em fatos e com reportagens com um mínimo de profundidade. Toda democracia demanda uma imprensa livre, mas vocês demonstram não estar à altura da democracia que o Brasil e o continente sul-americano convivem há uns anos. Façam jornalismo. Não com os sem fim de mentiras, já que não se provam suas alegações, que contem suas manchetes golpistas.

Enquanto isto, imprensa internacional e blogues brasileiros para curar a azia.

10 de fevereiro de 2009

Umas perguntas.

Há quanto tempo o Sr. Battisti está no Brasil? Há quanto tempo está preso? Por que quando ele chegou no Brasil a Itália não iniciou esta pressão que hoje quer exercer? Porque a mídia brasileira só foi "descobrir" o Sr. Battisti há menos de dois meses? Onde estava toda esta indignação contra o dito terrorista antes dele receber a concessão de asilo político? Outra coisa... concedendo que o Sr. Battisti é assassino, porque permitimos que Alfredo Strossner, assassino de mais de 2000 paraguaios, tenha vivido sob nosso formoso céu, risonho e límpido do planalto central? Seria coerente extraditar o Sr. Battisti um Tribunal cuja cidade abrigou por longos 17 anos aquele ditador-assassino?

Vamos brasileiros, deixem de serem influenciados por uma imprensa que dita nossos valores e comportamentos! A experiência de independência de pensamento de uma imprensa tão maldosa é questão de saúde do indivíduo. Com tantas notícias insistindo que continuamos a viver numa república de bananas, acordaremos um dia pensando que somos macacos! O Brasil como eterno país do futuro deixou de existir, pois já o somos! Temos um país respeitado como nunca, já não nos reconhecem como potência regional, mas sim, como global. Pensamento positivo e coerência. Asilamos Strossner, asilaremos Battisti; nosso país seguirá soberano, pese desconforto da imprensa brasileira e italiana.

19 de janeiro de 2009

Errantes.

Prezados, este texto escrevi em Novembro de 2006. Estava salvo na página do blogue como rascunho desde então. Longe de saber qual sua conclusão, compartilho sem remendos. Qualquer comentário, por mais curto que seja, por favor, façam.

Nômades, os das primeiras exposições de história e vida social, foram e são. Em sua concepção clássica, aquela que se projeta na mente, se vê um grupo de homens, mulheres, crianças e idosos, em marcha. Ou estabelecido em uma aldeia rústica, de transparente caráter provisional. Alicerce frágil: estrutura débil, vacilante. Ontem, hoje e amanhã se confundem. Para eles, a falta de aprofundamento de suas fincas deriva do mesmo aspecto sazonal. Uma vez exauridos os recursos disponíveis (minerias, de fauna e flora), o agrupamento busca novos mananciais para suas necessiades.

O conhecimento adquirido - ou pela vigente geração, ou por passadas gerações através dos possíveis meios de cultura - será o guia para o líder da algomeração. Na confiança depositada nele, a massa segue o passo e confia. Através de tais conhecimentos o norte estará na mente do líder. A missão: encontrar um novo e exuberante sítio para estabelecimento e satisfação da turba. Caso contrário, a confiaça depositada ruge ou ruirá. A dinâmica social depende destas duas vias: a possibilidade da cabeça satisfazer o corpo e este garantir a continuidade do condutor. Rompida uma das vias, independente da direção, o ser social formado enfraquecerá, podendo até desaparecer. Pois outras cabeças e corpos anseiam e buscam novas interações e experiências. Todo com o mesmo propósito: a busca de novos mananciais e todo processo decorrente e acima exposto.

Aumentada a aglomeração, os segmentos decorrentes do inchaço ganham complexidade. O que antes tinha apenas duas vias, pode, então, encontrar no infinito a satisfação do prover e necessitar. Indiferente não é o aumento de complexidade e número para os condutores. Deles, não mais dele, se espera o exemplo, símbolo e baluarte. Como os frutos gerados aumentam, a ganância, latente fraqueza humana, brota e infecta. Para cada grupo social no comando, haverá um sem-número à infiltrar as relações e decorrentes estruturas.

O tempo transcorrido do empossamento, do atual, até o presente deveria ter trazido diferentes frutos para esta turba de cerca de 200 milhões. Vindo e reconhecido como do proletariado, Ele deveria ter agido de outra forma frente ao corpo que lhe deu, através do sufrágio, o poder de conduzir. E por que não agiu?

Por que ao encontrar a "Herança Maldita" não à entregou para um arauto fazer sua dissecação? Por que não enfrentou antigas e enraizadas chagas com o poder carismático, legal e legitimamente confiado? Por que não tangeu os seus para dentro dos currais os quais deveríam ter permanecido? Por que aceitou em sua turba rezes de outras origens? Por que conversou com quem antes lhe desejava o gládio? Por que atribuiu competências para incompetentes? Por que competenes ficaram sem competências? Por que falou? Por que deixou de falar? Por que, já que gosta tanto de futebol, ao ter a bola na marca do pênalti, recuou a dita para o goleiro? Por que, tendo a chave, se não a morça, não rompeu grilhões de seus semelhantes com a capacidade política que tinha? Por que, nas falhas de seus tribunos, não cometeu parricídio? Por que permitiu o patricídio? Por que deixou suas mulheres irem? Por que não educou? Por que não chorou? Chorar não seria de todo ruim. Por que não foi exemplo, símbolo e baluarte? Por que permitiu desvios do seu próprio sangue? Por que não deu sangue? Ficaria faltando só o suor. E, enfim, por que não convence que os outros 20 porquês são indevidos.

Não se busca aqui apresentar resposta, nem insinuar veracidade ou falsidade para as indagações. Mas são perguntas, aqui com limite, que teríam muitas para se acrescentar. Tampouco, não é possível negar que há um universo infinito de porquês para seus antecessores. De diferente forma não é para as segmentadas unidades da federação. Por suposto, de seus atuais e passados condutores.

O porquê que fica, persiste, martela, dobra, retumba, ressoa, perfura, esfacela, estripa é: por que todos se mostram iguais? Não foram poucas as oportunidades dadas pela turba para que se criasse um estadista para aquela. Mas não. Nenhum exemlpo para seguir e ensinar em cadeiras de ciência política, aulas de deontologia, conversas em mesas de bar; nos ares de São Paulo, Berkley, Londres, Tóquio, ou qualquer povoamento que se crie nos próximos mil anos. Nenhum Hamilton, Madison, Franklin, Washington, Clynton, Churchil, Augusto, Saladino, Lawrence. Quase nada, quase estéril. É como se não tivessem existido.

Os manaciais não devem servir ao líder da comunidade. Pelo contrário, deve ser buscado, gerenciado e cultivado para que todos usufruam, na medida de seus esforços e possiblidades. A ganância deve ser posta de lado. Ver que o acúmulo material significará escassez de condições mínimas para muitos. Ao realizar isto, de plena vontade, o homem se distancia daquilo que também lhe faz diferente dos demais animais: a capacidade de fazer o bem indistintamente para seu semelhante, sem insitintos, sem código genético ou comportamentos prévios que lhe guie. Fazer o bem para o semelhante pelo simples fato de ter a capacidade de escolha. De ter recebido tal capacidade, seja pela evolução, seja pela religião.

É um infortúnio da comunidade que a capacidade de escolha de seu condutor e o efeito gerado estejam separados por distâncias imensas. Deveras, efeitos se passam, vidas se vão e nada se conhece. Quantos Zés, Joaquins, Pedros, Marias, Graças, Flávias, pereceram pela escolha errada feita de alguém alhures que nunca conheceram. Quantos Ludovicos, Cristovãos, Sebastiões, Joãos, Wagners, Bernardos jazem no ressequido solo do Nordeste, sem nunca terem recebido um nome, muito menos uma vida digna, por luxos inominados. Nestes séculos, homens com Ele, poderiam ter criado uma verdadeira nação. Não no sentido beligerante, destrutivo. Mas uma nação heterogênea na origem, homogênea no fim comum. Que a capacidade de escolha e ações elegidas por seus condutores gerem efeitos construtivos, perenes e pronunciáveis na luz do dia. Que tais ações amaciem a pluma do travesseiro daqueles que têm o poder de escolher o norte para a comunidade. Uma cadeia mínima de escolha certa de ações teria gerado um hoje diferente.
Continua...

Difícil decolagem.

Em um país repleto de limitações institucionais, recheado com uma sociedade das mais desiguais que existe sobre a face do globo terrestre,...